• Thiago Rodrigues

Resumos da História da Reforma #2 - O Início da Reforma

Os principais movimentos que deram início à Reforma Protestante


A Reforma teve um pano de fundo, em que já se percebia os deslizes da Igreja em relação a questões bíblicas que foram suprimidas pela tradição e costumes distorcidos. O ponto crucial para Lutero era o problema relativo à segurança da salvação. Lutero enfrentou conflitos cruéis em seu íntimo, por sua consciência de pecado e pelo medo da condenação. Em outras palavras, embora ele fosse um religioso, não tinha encontrado alívio, descanso e paz no ensino da religião, mas somente tormento e aflição, diante da consciência de seu pecado.


Notavelmente, Deus conduz nosso coração à verdadeira conversão e ao deleite na obra de Cristo às vezes por meio de grandes aflições e temores. Lutero, desta forma, ao se deparar com o ensino das Escrituras sobre a salvação pela fé em Cristo, pode entender de onde viria a segurança da salvação – não de si mesmo, mas somente da obra de Cristo, a qual é perfeita, foi recebida pelo Pai como o pagamento suficiente pelos pecados, e efetivamente torna livre da condenação final os que se chegam a Cristo pela fé. Esta compreensão trouxe grande paz a Lutero, e o fez perceber erros presentes na pregação da Igreja naquele momento.


Lutero via a Igreja oferecendo meias verdades, e até mesmo mentiras completas, quanto à salvação. Isso não só fomentou angústias em seu coração, colocava todos em risco. Havia a doutrina do purgatório – na qual os que não satisfaziam plenamente a justiça de Deus em vida, o fariam após a morte por um terrível sofrimento temporário. E para os que podiam pagar, havia a venda de indulgências, que eram declarações de perdão total concedidas pela Igreja.

Esta prática gerava dois problemas gravíssimos:


1. A falsa segurança – Será que o homem que comprava a indulgência era realmente salvo? Ele pagou pela declaração da Igreja de que não teria mais culpa por seus pecados. Mas isso podia realmente sustentar sua salvação? Ou estaria este homem totalmente perdido e ainda enganado quanto a isso?


2. A libertinagem sem arrependimento – O homem que adquiria uma declaração de perdão absoluto, se via “livre” dos deveres religiosos. Podia trilhar caminhos maus, e se achando isento quanto ao pagamento da dívida, pois já havia comprado a liberdade por dinheiro.


Lutero se revoltava contra esta prática, pois percebia seus efeitos nocivos. Principalmente depois que entendeu o ensino do Evangelho sobre a salvação pela graça mediante fé em Cristo, apontou de forma mais acentuada os erros desta prática. Assim, em 31 de outubro de 1517, Lutero pregou na porta da Catedral de Wittenberg suas 95 Teses, que eram sentenças que procurava debater, a fim de tratar dos erros da Igreja naquele momento. Em suas 95 Teses, Lutero atacou esta prática de forma contundente, como vemos nestes exemplos:


· Sobre arrependimento na vida cristã, que era perdido com a indulgência:


o Tese 1: Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.


o Tese 4: Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.

Em outras palavras, Lutero afirma nestas teses que o arrependimento deve ser uma prática constante na vida cristã. Isto, porém, é perdido, quando há a proposta de que é possível obter o perdão independente do que o homem faça, simplesmente pagando certo valor à Igreja.


· Sobre o engano das indulgências:


o Tese 27: Pregam futilidades humanas os que alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma sai voando do purgatório.


o Tese 32: Serão condenados, juntamente com os seus mestres, aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante cartas de indulgência.


o Tese 36: Todo cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem carta de indulgência.


o Tese 76: Afirmamos que a indulgência do papa pode anular nem mesmo o menor pecado venial, em relação a sua culpa.


o Tese 82: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima caridade e pela necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, já que o faz em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livrando um sem número de almas, por motivo bastante Insignificante?